Por que o mar recua de forma impressionante antes da chegada do tsunami?

  • 09/08/2025
(Foto: Reprodução)
Por que o mar recua antes do tsunami? Vídeos gravados na última semana mostram que, pouco tempo antes de um tsunami atingir a costa da Rússia, do Japão e do Havaí, o mar recuou de forma abrupta e significativa. ➡️O mesmo aconteceu em 2004, em Phuket, na Tailândia, quando banhistas ficaram impressionados com o “encolhimento” do oceano e caminharam sobre a areia, pegando peixes. Eles não imaginavam o tamanho da onda que os atingiria em seguida. ➡️Em Palu, na Indonésia, em 2018, pessoas correram em direção à praia para observar o fenômeno do recuo marítimo. Elas tiveram ainda menos tempo para escapar do tsunami que estava prestes a ocorrer. Por que pode haver uma retração do oceano antes de desastres como os citados acima? Em 26 de dezembro de 2004, Tilly Smith, aos 10 anos, sabia a resposta — e a informação fez com que ela salvasse vidas na praia de Maikhao, na Tailândia. Ao perceber o recuo significativo do mar, a menina lembrou-se do que aprendera na escola semanas antes e começou a gritar: “Tsunami, tsunami!”. Vamos aos detalhes: SIMULAÇÃO de timelapse mostra como o oceano pode recuar antes de um tsunami Reprodução/Redes sociais O que é um tsunami? Tsunami é uma onda de grande comprimento gerada principalmente por terremotos no fundo do mar (erupções vulcânicas e deslizamentos submarinos são outras causas possíveis). Com o movimento das placas tectônicas, seja abaixando ou erguendo o fundo do oceano, uma enorme massa de água é deslocada, de forma brusca. “O corpo d’água é violentamente deslocado para cima, fazendo elevar o nível do mar nas imediações”, afirma Lucas Penha, analista educacional de geografia da Fundação Bradesco. Tsunamis são terremotos que acontecem no mar Arte/g1 Por que o mar recua antes do tsunami? Como toda onda, o tsunami tem crista (ponto mais alto) e vale/cavado (ponto mais baixo). 🌊Imagine um surfista em um “tubo” no mar, sugere Fernanda Cantisani Zuquim, professora de geografia do Colégio Bandeirantes. “Ele fica dentro da concavidade da onda. Acima dele, está a crista. À frente, embaixo, o vale.” Aí é que está: para a crista se formar, a água que está à frente no mar é “puxada”. No caso do tsunami, em que a coluna d’água é movimentada desde o fundo até a superfície, isso acontece em proporções muitíssimo maiores, expondo o fundo do mar. É esse o fenômeno que levará a uma possível retração do oceano. Mas sempre que houver tsunami, poderemos ver o recuo prévio do mar? Não, afirma Marcelo Dottori, professor-doutor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). “Só quando é a parte mais baixa da onda [vale ou cavado] que chega primeiro à costa, e não a crista, que acontece esse recuo", diz. Ou seja: nem todo tsunami vai emitir esse alerta prévio de “mar encolhendo”. “Não dá para dizer, por exemplo, que determinado local é mais propício a ter ondas na costa começando pelo cavado. Tudo vai depender da maneira como o tsunami se formou naquele episódio”, explica o especialista da USP. Entenda o que é a crista e o que é o vale de uma onda Arte/g1 E todo recuo acentuado do oceano é sinal de tsunami? “Se for um recuo muito grande, provavelmente sim, é o caso de um tsunami”, diz Dottori. 📢Mas, atenção: não confunda esse fenômeno com a maré baixa: Antes do tsunami: recuo enorme e rápido do mar, expondo áreas da costa que dificilmente ficam descobertas. Na maré baixa: recuo não tão significativo e muito mais lento (pode durar horas). Corresponde a uma variação regular e previsível do nível do mar, causada pela atração gravitacional da Lua e do Sol. Uma dica é considerar o local do fenômeno: no Brasil, por exemplo, é improvável que haja um tsunami, já que, no Atlântico Sul, as placas da América do Sul e da África são divergentes, ou seja, se afastam e praticamente não geram essas grandes ondas. Mas, se o recuo for muito grande e rápido, e ainda se manifestar em regiões como a do Pacífico (como na costa do Japão ou da Indonésia), fique atento e aja imediatamente. O ideal é procurar abrigo seguro, o mais distante possível da costa e em lugar alto, mesmo que a onda ainda não seja vista. Placas tectônicas do Atlântico Sul não costumam gerar tsunamis Arte/g1 Quanto tempo passa entre o recuo do mar e a chegada da onda? Na oceanografia, o conceito de “período” define o tempo para uma onda ir de seu ponto mais baixo até o mais alto (ou vice-versa). Uma onda fraca, comum no dia a dia, tem período de 5 a 8 segundos. Já nos tsunamis, afirma Dottori, esses intervalos entre a crista e o vale da mesma onda são da ordem de 10 a 15 minutos. “A pessoa pode tentar se abrigar nesse intervalo. Ainda assim, é pouco tempo. Precisa perceber a situação e agir de imediato”, afirma. Observação: O tempo estimado aqui corresponde ao intervalo entre a crista e o vale da mesma onda . No entanto, tsunamis costumam ocorrer em sequência de ondas, com vários ciclos sucessivos. Por isso, outras podem atingir a costa minutos depois da primeira, e até com mais força — o que torna ainda mais urgente buscar abrigo em local alto e distante da praia logo ao primeiro sinal de perigo. Por que a onda fica mais alta exatamente quando chega à costa? No mar aberto, a profundidade típica é de cerca de 4 mil metros. O tsunami, neste ponto, está viajando a 200 m/s (720 km/h), velocidade de um avião de cruzeiro. Quando a onda começa a se aproximar da costa, a profundidade do mar é reduzida para aproximadamente 10 metros. “Isso leva a uma diminuição da velocidade e a um acúmulo de massa de água”, explica Dottori. É como se a imensa quantidade de líquido tivesse menos espaço para se acomodar. Resultado: ela ultrapassa os limites e avança sobre o litoral.

FONTE: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2025/08/09/por-que-o-mar-recua-de-forma-impressionante-antes-da-chegada-do-tsunami.ghtml


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